Opção pelos pobres

O Governo Federal professa a opção pelos pobres, manifesta principalmente no programa Bolsa-Família. Os estudos acadêmicos disponíveis demonstram, de forma inequívoca, os benefícios do programa Bolsa-Família. A esse respeito, a despeito do aspecto francamente panfletário da publicação, vale ler http://brasildamudanca.com.br/bolsafamilia/mitos/. Outras iniciativas, integradas no âmbito do programa Brasil sem Miséria (que é, na verdade, um articulador de todas as iniciativas nessa direção), contribuem para a atenuação das consequências da miséria no País.

Os números, amplamente favoráveis ao Programa, não são suficientes para debelar a posição filosófica contrária, baseada no mérito: incentivos devem ser dados a quem se esforça. Não concordo com essa abordagem, até mesmo em função das declarações de direitos existentes, que asseguram a todos o mínimo de qualidade de vida, independentemente de seus méritos.

O outro lado da moeda que não se comenta, no entanto, é a opção que o Governo fez pelos ricos. Ah, e que opção!

Segundo a voz corrente dentre os que apoiam o Governo Dilma o modelo de governabilidade adotado pelo PT é, na verdade, impositivo: não há outra maneira de se governar o País. Assim, ceder ministérios, diretorias nas Estatais – em particular na Petrobrás -, e direcionar recursos orçamentários para aliados nada mais é do que o preço a se pagar para que seja possível se manter a opção pelos pobres. Para que se possa fazer a opção pelos pobres é indispensável se fazer uma opção pelos ricos, muito mais cara, muito mais custosa.

A sangria desatada de recursos públicos acima descrita é coberta pela tomada de recursos no mercado – a dívida pública. Comprar dinheiro, no entanto, é uma operação bem cara, por volta de 10 Bolsas-Família. Só nessa conta, os ricos custam aos cofres públicos 10 vezes mais do que os pobres, e, pior, poucos ricos custam 10 vezes mais do que uma quantidade enorme de pobres.

A opção pelos ricos se completa com os recursos direcionados do BNDES para as grandes empresas, particularmente para contratos no exterior. São os mesmos de sempre: as empresas desses que andaram presos alguns dias atrás, todos os conhecem.

A conta dos recursos públicos direcionados para uns cinquenta milhões de pessoas pobres não chega a R$ 50 bilhões por ano. A conta dos recursos públicos direcionados para no máximo dois milhões de pessoas ricas alcança a casa dos R$ 500 bilhões (Juros da dívida + financiamentos do BNDES + corrupção). R% 50 bilhões para 50 milhões de pessoas, significa R$ 1 mil/pessoa/ano. R$ 500 bilhões para 2 milhões de pessoas, significa R$ 250 mil/pessoa/ano.

Vá lá, fiz inúmeras aproximações, concordo. Mas afirmo sem medo de errar que a conta nunca vai dar menos do que 100 vezes o per capita do rico em relação ao pobre. É caro optar pelo pobre, pois parece ser necessário deixar muito dinheiro com o rico para que ele permita a migalha do pobre. É isso mesmo?

O PT já deixou de ser uma opção pelo pobre há muito tempo. Infelizmente.

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