Quebradeira ampla, geral e irrestrita

Parece que é isso que os nobres parlamentares desejam para o País.

Tenho duas filhas. Uma delas, mais explosiva, era provocada pela outra e depois de algum tempo revidava com um tapa. A que provocou chorava e ia reclamar conosco. A que deu o tapa invariavelmente ganhava também o seu, e a provocadora saía ilesa…

Os parlamentares estão provocando. Quando vier a quebradeira, inflamarão o discurso de que não é possível aceitar o vandalismo, o tapa, que deverá ser punido com rigor. Para eles, cobertos pelo sigilo na votação, não resta qualquer punição. Nessas horas desejo ardentemente que aquele evento previsto por Jesus, de um julgamento entre bodes e carneiros, se cumpra, e esses vândalos sejam condenados ao fogo eterno.

Enquanto isso não vem, resta a esperança de que a indignação movimente novamente os cidadãos para tomar as ruas e protestar contra o descalabro. Se conseguirmos quebrar alguns vidros do Congresso Nacional seremos chamados de vândalos, como sempre. Na verdade, seria só o tapa dado por quem vem sendo constantemente provocado.

Meu temperamento possivelmente irá me impedir de participar de um ato dessa natureza. No entanto, se ontem a noite eu estivesse próximo ao Congresso em uma manifestação, possivelmente teria perdido as estribeiras. Será que existe algum outro País no planeta no qual o Congresso mantenha o mandato de um parlamentar que está preso, condenado pela Justiça?

Não há defesa possível para aquela Casa, e nem mesmo absolvição para os parlamentares que votaram a favor da cassação do mandato do colega bandido. São todos culpados, somos todos culpados. Que vergonha. Temo que com tão grande insensibilidade estejamos no caminho da quebradeira ampla, geral e irrestrita.