Não se animem, PSDB e PSB

Creio que FHC, com toda sua capacidade, sabe bem que a queda de Dilma não significa necessariamente a oportunidade esperada pelos peessedebistas. Não sei avaliar se Eduardo Campos tem essa mesma capacidade de análise e consegue compreender o momento. O vento que sopra não traz boas notícias para os postulantes a candidatos à Presidência do Brasil.

O repúdio a Dilma, nesse momento, significa o descontentamento com um modelo que faliu, e não contra ela, especificamente. A sociedade que acordou parece estar percebendo que a troca de nomes mantendo-se os mesmos modelos de ocupação do poder e administração do Estado não vai nos levar a lugar algum diferente deste em que nos encontramos.

Não venham se apresentar, Aécio e Eduardo, como opções legitimadas pelas manifestações das ruas – vocês não são. Aécio e Eduardo representam mais do mesmo, com roupagem diferente. Isso não nos agrada, nem um pouco.

A agenda mínima para dirigentes e representantes em uma nação passa pela compreensão de dois conceitos básicos, muito simples. O primeiro, é que a representatividade não se trata de um cheque em branco do eleitor, pelo contrário, trata-se de um comissionamento, de uma função a ser exercida a favor do representado. O segundo, que a ocupação do cargo público sempre deve ser feita tendo-se em mente que a obrigação primeira é servir ao cidadão, daí a denominação “servidor público”.

Uma vez que esses conceitos estejam interiorizados, e sejam perseguidos, os modelos políticos produzirão o resultado necessário.

A agenda mínima para dirigentes e representantes brasileiros incluirá, ainda, a busca incessante pela diminuição da desigualdade no País. Nossa realidade é aviltante.

Se os programas de partidos e candidatos forem construídos sobre essas bases haverá esperança para o cidadão.

Não há o que negociar, caros governantes

O Governo está perplexo com os fatos que se sucedem. Algumas vozes já manifestaram o desejo de conversar e negociar com os líderes do movimento. Duas dificuldades se impõem, nessa situação: não existem lideranças claras e legitimadas, e, não há o que negociar.

A mensagem desse movimento é muito simples: governem!

O modelo de governabilidade adotado pelos governos (federal, estaduais, distrital e municipais) provocou o resultado oposto ao desejado: é a receita do desgoverno. Parlamentares são tratados como crianças birrentas que não são disciplinadas pelos pais, ao contrário, para aplacar suas constantes e crescentes crises de vontades recebem maiores e mais polpudos presentes. É hora de promovê-los à maioridade e mandar que façam o que têm de fazer. É hora de convocar políticos sérios a uma coalizão programática – chega de distribuir presentes às crianças, essa fórmula se exauriu.

Nossa expectativa é muito simples, e está expressa na Constituição Federal: façam sua parte para construir uma nação livre, justa e solidária. Isso significa governar para a nação, para a coletividade. Isso significa parar de fazer do orçamento público um caixa de favorecimentos internos, para essas massas disformes que são as coalizões políticas de apoio aos governos.

Não, não é fácil. Aplacar a ira desse monstro insaciável não é tarefa fácil. Dilma tem coragem suficiente para tomar uma decisão como essa. Não creio que próximo a ela surja qualquer apoio para uma medida extrema como essa. Deveriam avaliar, no entanto, que seu futuro político eleitoral está em jogo, que a campanha presidencial de 2014 começou muito antes do que se imaginava.

Governe, presidenta Dilma, é só isso que queremos! Governe, governador Agnelo, é só isso que queremos!