A sociedade contra a corrupção

O fato é que se uma determinada coletividade convive tanto tempo com um problema isso ocorre porque, na verdade, a coletividade não o considera um problema… Essa é a constatação frustrante a que chegamos, após tantos anos de luta contra a corrupção, ao perceber que a acomodação dos governados não só legitima a corrupção de grande parte de seus governantes, como também sinaliza que e se esses governados estiverem no poder, agirão da mesma forma..

Mas a reestreia dos caras-pintadas na rua, no dia 7 de setembro próximo pode ser uma novidade bem-vinda. Talvez alguma coisa mude daqui para a frente.

Sinto-me na obrigação de louvar minha presidenta (fiquei tão animado com a disposição dela em brigar com os corruptos que aceitei chamá-la de presidenta…) porque ela deu a partida para essa mobilização toda que está sendo feita. Cabe a nós, agora, levar adiante o movimento. Fico me perguntando se Dilma faz ideia das consequências do movimento que desencadeou…

O problema é que nós vivemos nos extremos. Por um lado. toleramos cinicamente a corrupção. Por outro lado, exigimos uma pureza de procedimento absurda, que nenhum mortal é capaz de observar. Isso é péssimo, pois se traduz em leniência ou caça às bruxas, sendo que, quando se caçam bruxas, o menor deslize que seja torna a pessoa uma dessas bruxas. É a reedição dos fariseus que faziam Jesus perder a linha.

Falta bom senso nesse jogo, pois os limites nunca são claros e ninguém é inteiramente íntegro ou inteiramente corrupto.

Mas, nesse momento, muito melhor para nós será uma sociedade que cace bruxas do que uma sociedade leniente com apropriação privada do recurso público. Mas, fica o alerta, precisamos de sabedoria e bom-senso porque a coisa pode desandar ainda mais se formos com sede demais ao pote.