Eu ou nós? Meu ou nosso?

Ontem, um correligionário me abordou sugerindo que em meu folheto de campanha eu trocasse a frase “em meu mandato eu vou” por “em nosso mandato nós vamos”. Acho que ele tem razão em me sugerir o que me sugeriu, assim como eu tenho razão em escrever o que escrevi.

A ideia dele – e já é a segunda vez que me adverte a respeito – tem a ver com uma necessária mudança de mentalidade, na qual prevaleça uma noção coletiva da existência e da vivência humanas. A superação da privatização da vida, da circunscrição de todos os temas às decisões e interesses pessoais. A hipervalorização da individualidade torna-se cada vez mais um valor acima de qualquer objeção.

De outro lado, não gosto da falsa humildade, do discurso que se esconde atrás da primeira pessoa do plural. O mandato que me vier a ser concedido será produto do esforço de muita gente, mas a responsabilidade será minha por tudo aquilo que eu fizer em seu exercício. Nesse sentido, esse mandato é meu, e pelo que eu fizer devo ser cobrado.

Em parte, o mandato será nosso, pois a partir dele espero poder canalizar as expectativas de meus eleitores. Na responsabilização que dele poderá advir o mandato será só meu.

A acomodação dos bons

A mudança indispensável é o fim dessa terrível acomodação dos bons, conforme já disseram algumas figuras públicas de muito peso, como Martin Luther King. Talvez, por isso mesmo, nem sejam esses os bons. Os bons mesmo talvez sejam aqueles que estão dispostos a se doar – esses são bons, porque fazem o bem, porque se entregam.

A grande luta para promover uma campanha política passa por essa questão.

Ontem, comecei a me comunicar via e-mail, individualmente, com pessoas que conheço, convidando-as para participar dos esforços da campanha. Jà está se esboçando a omissão dos “bons”. De 17 e-mails que enviei, recebi 4 respostas. E só enviei para pessoas que são realmente próximas a mim.

É lógico que alguns não viram ainda, outros viram mas não tiveram tempo, essas coisas que são comuns. Eu, com certeza, já deixei de responder e-mails que tinham muita improtância para quem enviou.

Está aí o grande desafio dessa campanha, e de todas as outras: fazer com que os bons se engajem nessa causa – parada dura!