Medidas (quase totalmente) inócuas

São duas as naturezas das medidas para enfrentar a corrupção, anunciadas no pacotinho do Governo: administrativas e judiciais. As que dependem da ação do Poder Judiciário, de pronto se apresentam inócuas, por dois motivos: em primeiro lugar, porque o Judiciário funciona mal, em segundo lugar, porque se tratam de medidas póstumas, ou seja, o dinheiro já foi embora pelo ralo.

As duas medidas de natureza administrativa são a observância da Lei da Ficha Limpa para ocupação de cargos no Governo e a regulamentação da Lei Anticorrupção. A ideia da Ficha Limpa é boa e talvez seja a única, dentre todas as medidas anunciadas, que poderá realmente colaborar no enfrentamento da questão. Quanto à regulamentação da Lei, mais uma vez, trata-se de medida póstuma.

Não se pode desconsiderar que se essas medidas póstumas conseguirem assegurar maior punibilidade, também teremos avançado um tanto bom.

Infelizmente, no entanto, não tocamos nem perto da ferida: o modelo de governabilidade que orienta os governos em todos os níveis: federal, estadual e municipal, e cuja engrenagem principal é a corrupção, o dinheiro desviado dos caixas públicos para partidos e políticos. A esse nefasto sistema a respeito do qual afirmamos ser a única maneira de se governar – embora seja desgoverno -, soma-se um modelo inócuo de controle de contas públicas.

O Governo não passou nem perto de conseguir algum avanço consistente nessa luta cruel.

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