Um breve encontro com Eduardo Campos

Estava muito cansado, depois de um dia repleto de atividades de campanha, que havia começado bem cedo com panfletagem na entrada do Banco Central. Na sequência, eu havia visitado três trabalhos sociais, dois em Ceilândia e um no Recanto das Emas. A noite ainda teria o lançamento do Fórum Evangélico Somos Todos Brasília, composto pelos evangélicos que participam da coligação no Distrito Federal, na sede do Sindipol.

Passei pela casa de meus pais e jantava com eles. Acabei me atrasando um pouco para sair em direção ao evento. Lá estariam presentes Eduardo Campos, Marina Silva, Rodrigo Rollemberg e Reguffe, além dos candidatos aos demais cargos eletivos. Diego me ligou recomendando que eu fosse logo, pois o Eduardo já tinha começado a falar.

Cheguei rápido. No caminho em direção ao auditório havia muita gente, e uma grande movimentação. Era o Eduardo deixando o auditório em direção ao seu carro, e eu estava no meio do caminho. O Calebe vinha com a câmera na mão e fez um sinal para que eu me postasse ao lado dele para fazermos um take, ou uma foto.

Eduardo vinha aos trancos e barrancos descendo a rampa de saída do auditório, lutando para vencer a muralha de pessoas que queriam falar com ele, entregar alguma coisa ou, como eu, tirar uma foto. Quando consegui colocar a mão em seu ombro para requerer minha vez, uma senhora invadiu o espaço e apresentou a ele uma revista. Eduardo, que se mostrava atencioso com todos, tentou entender do que se tratava e dar atenção a ela, mas tive a impressão de que não conseguiu.

Todas as outras vezes em que estive em um mesmo ambiente com o Eduardo a situação fora a mesma: aquele mar de gente tentando fazer algum contato com ele, e eu tentando sem sucesso fazer a foto. Não consegui a foto, mas foi possível fazer um take breve. O Eduardo, por sua vez, tentou, mas não conseguiu falar comigo. A senhora com a revista não dava sossego a ele, havia mais um monte de gente em busca de fotos com ele e os assessores o pressionavam para que entrasse logo no carro e corresse para o próximo compromisso – parece-me que voaria para São Paulo logo depois.

Esse foi meu breve e único contato com Eduardo.

Entrei no auditório e participei do restante do evento, no qual Marina já discursava.

Hoje estava em direção a minha casa quando o Diego me ligou dando a notícia da morte de Eduardo Campos. Chorei. Não podia imaginar o quanto tinha me afeiçoado a nosso candidato à Presidência. Sou agradecido por não estar entre aqueles que, nesse momento, têm a obrigação de fazer as articulações políticas que certamente já estão acontecendo por toda parte, e, por isso, ter algum tempo para reflexão. Sinto saudades do que essa campanha com ele poderia ter sido. Sinto compaixão pela família. Estou triste. O Brasil perdeu muito.

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