Pouco solidários

Assim são os brasileiros. De acordo com o World Giving Index (algo como o índice de doação mundial), produzido pela ONG Charities Aid Foundation, o Brasil vai muito mal no quesito solidariedade com os desvalidos na sociedade.

Em três medições realizadas nossos resultados foram bem ruins. 42% dos brasileiros presta ajuda a desconhecidos, o que nos coloca em 14º lugar entre 18 países latino-americanos. Os colombianos, nesse quesito, são os mais solidários, pois 70% deles prestam esse tipo de ajuda. O país que se saiu pior foi El Salvador, com 38%.

No que diz respeito à doação a causas ou entidades, 23% dos brasileiros se mobilizam, o que coloca o país em 12º lugar desta lista. O Chile se destaca, com 54% de sua população envolvida com iniciativas desta natureza, e o último lugar fica mais uma vez com El Salvador, com apenas 11%.

Nossa situação se agrava quando o tema é voluntariado. A Guatemala se destaca, com 40% da população envolvida com ações voluntárias, enquanto o Brasil despenca para o 18º e último lugar, com apenas 13% de sua população doando tempo para causas de interesse comunitário e coletivo.

Esses números são desanimadores. Parece-me que retratam com fidelidade a suposição sempre feita de um país acomodado com suas próprias mazelas. O perfil que daí emerge sinaliza para um cidadão que dificilmente vai se envolver com outra questão de importância fundamental para o avanço social: a ação política partidária e eleitoral.

O desafio continua o mesmo, agora um pouco mais fundamentado em números ruins: tirar o brasileiro da letargia.