Yoani Sanchez – II

Visto que a Ana Rosa tem toda razão em seu comentário, vou mudar completamente minha postura sobre Yoani Sanchez.

Eu não pude me dedicar a protestar favoravelmente a Yoani, por força do protesto contra Renan. Não sei também se o faria, devido a outras limitações. Gostei muito da declaração de Yoani, que, ao ser recebida com protestos, declarou que só gostaria que em Cuba ela tivesse a mesma liberdade que aquelas pessoas têm no Brasil, de protestar.

O argumento contra Yoani é muito fraco. Condená-la por um suposto financiamento da CIA é bastante ingênuo. Todos são financiados por seus parceiros preferenciais, conforme os interesses político-econômicos. A própria pátria de Yoani foi financiada, anos a fio, pela União Soviética, e, atualmente não sucumbe ao hediondo embargo promovido pelos Estados Unidos por causa dos dólares venezuelanos.

Yoani, em função do embargo cubano, recebe ajuda dos norte-americanos. E assim será para todo o sempre, enquanto essa terra não for redimida: meu dinheiro vai para meus amigos, ou para quem defende meus interesses.

O barulho contra Yoani é muito interessante, na medida em que estamos tentando fazer barulho contra alguém muito mais perigoso ao país: Renan Calheiros. Porque os protestantes contra Yoani não se tornam protestantes contra Renan? Ah, porque a lógica das conveniências políticas é extremamente tortuosa.

É essa a política que existe, não existe outra, idealizada, nem um mundo bonito no qual a boa intenção e a força de um princípio trarão a redenção da humanidade. Como diz Ana Rosa, que comentou meu post anterior, tudo está interligado, e eu não posso descuidar de Yoani. Você tem razão Ana Rosa! Viva Yoani!!!

 

Yoani Sánchez

Não sei nada sobre Yoani Sánchez. Aliás, quase nada. Sei que ela é financiada pela CIA – parece que recebe muitos dólares para difamar o regime cubano, e que, ao chegar ao Brasil, diante do protesto de brasileiros, declarou que só queria ter em Cuba o mesmo direito de protestar que aquele pessoal tem.

Não me interesso por Yoani. Talvez esteja errado. A questão é que não tenho tempo para ela. Estou muito concentrado em duas questões da vida nacional, que me parecem relevantes nesse momento: a criação da Rede Sustentabilidade e os protestos contra Renan Calheiros.

Assim sendo, perdoem-me se ignoro solenemente Yoani, por questões que, na minha limitação, me parecem mais importantes.

Renan é um crápula. É o retrato pronto e acabado daquilo de pior que existe no Brasil. Vai acabar tendo que deixar o cargo de presidente do Senado. Dessa vez esperamos, no entanto, que nunca mais volte. Não fará falta alguma.

Dilma conta conosco. Por conta dos compromissos do mito da governabilidade teve que engolir esse sapo. Mas nós vamos lutar contra Renan, e tentar colocar nessa posição tão importante um Ficha Limpa. Alguém que tenha a noção mínima do que vem a ser interesse público.

Você ajuda?

 

 

Por um apoio mais presencial

A semana que se encerra traz como notícias principais a tragédia de Santa Maria e a reeleição de Renan para o cargo de que mais gosta: o mais alto que puder chegar para continuar a saga desembestadas atrás de mais poder para, assim, continuar no poder, e depois conseguir mais poder…. Essa linha sem fim. Segundo ele, no entanto, tendo como referencial de atuação  política a ética como meio e não como fim. Equação incompreensível: ética como meio e poder como fim. Não sei o que isso quer dizer.

A tragédia de Santa Maria é um sintoma do mal que assola o país: a falta de espirito público dos agentes públicos. A primeira responsabilidade do agente público é a proteção da vida da coletividade. A segunda é a equidade entre os cidadãos. Renan não faz ideia do que isso signifique. Possivelmente, muitas das autoridades de Santa Maria também desenvolvam as ações de responsabilidade de seus cargos e funções sem essa percepção.

Faz alguns anos que entendi que o problema da corrupção seja, talvez, o mais grave que a nação enfrenta. Ela é, na verdade, o sintoma da falta de espírito público, na linguagem da ciência política, ou da falta do amor ao próximo, na linguagem teológica. O conceito político de representatividade, que encontra também seu paralelo na teologia, significa exatamente isso: não se está agindo em nome próprio, mas em nome de e para o outro.

Quando se fecham as portas do Senado para a presença dos cidadãos que querem participar, e mesmo protestar, no momento solene de escolha do presidente da Casa, fica explícito que se trata de um ambiente privado. Como o próprio Renan me disse uma vez: deixem que o Senado tome as decisões que lhe cabe. Como, Senador, se você e a grande maioria de seus pares não tem noção alguma desses conceitos acima expostos? Decisões do Senado, sempre, são representativas, são feitas em nome de e para alguém.

Renan e pelo menos mais 56 senadores parecem não ter a menor compreensão de conceitos democráticos tão básicos.

Como enfrentar isso?

Com menos “curtição virtual” e mais presença física.

Agradeço a todos que nos apoiaram virtualmente nesses dias, mas saibam que vocês fizeram muita falta naquele local, naquelas horas. Nossa atuação foi quixotesca. Tem sido assim ao longo dos anos. Imaginem se aqueles 25 mil das passeatas contra a corrupção estivessem ontem lá? Afirmo que poderia ter sido diferente. Parlamentares que perderam, ou nunca tiveram, o espírito público e a compreensão do conceito da representatividade só entendem a linguagem da pressão política, só reagem mediante o medo de perder poder. A voz das ruas lhes traz medo. Não tenho nenhuma ilusão de o coração deles se transforme de uma hora para outro e os faça agir tendo em mente esses valores. O que os fará mudar é a pressão, muita pressão.

A eleição de Renan não foi o fim da luta contra sua presidência no Senado. Foi o começo. Podemos contar com mais gente nas próximas ações?