De volta ao coração

Lá pelos idos de 1980, eu ouvia Ziraldo ridicularizando minha fé protestante: “(…) deixa essa coisa de mudar o coração do homem para as igrejas evangélicas, nós temos é que mudar a sociedade”.  Àquela altura, eu cria que poderíamos mudar a sociedade convertendo o coração das pessoas.

Ressalva: perdoem o Ziraldo, naquele tempo não era politicamente incorreto citar só os homens…

O tempo me mostrou que os convertidos, quando chegavam ao poder político, náo se comportavam de modo muito diferente do modo como se comportavam os demais – logo, a conversão do coração não era tudo. Com o tempo, comecei a avaliar que, na verdade, a questão da integridade talvez guardasse mais relação com os valores familiares e da coletividade à qual se pertencia.

Há alguns anos atrás, envolvi-me com os movimentos sociais de combate à corrupção. De algum tempo para cá, nessa luta tão difícil, na qual o foco é a mudança da cultura para que a sociedade não tolere a corrupção, comecei a ouvir falar na necessidade de mudarmos as pessoas! A Transparência Internacional está falando em trabalhar com seis eixos principais, sendo que o primeiro é a Pessoa.

Estaremos ao caminho de volta à conversão dos corações? Ou será que faremos uma síntese que seja mais produtiva?